Apresentação
Pois bem.
É com muito prazer que recebo os visitantes deste blog.
Meu objetivo aqui é expor as páginas de meu primeiro livro, o Livro do Dentes-de-Sabre, o primeiro da saga intitulada A Fome de Íbus. Se você é aficionado por literatura do gênero de fantasia, vai encontrar aqui um prato cheio. Meu primeiro livro foi selecionado pela editora Novo Século (Os Sete, Sétimo, Vampiro Rei, Turno da Noite...) para integrar a coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, mas por motivos outros não houve entendimento para a publicação. De forma geral, a falta de interesse das editoras pelo tema é bizarra, já que na Europa e Estados Unidos, fantasia é um dos carros chefes do mercado literário. As editoras brasileiras preferem publicar autores estrangeiros desse tema a autores nacionais. Nada contra os bons, diga-se de passagem.
Meus originais foram recusados sistematicamente. Fato esse comum aos autores iniciantes, mas não posso aceitar esta situação passivamente. Decidi lutar. Usei serviços profissionais de leitura crítica e revisão editorial além de prestativos voluntários beta-readers, que aprovaram e estimularam meu trabalho. Acima de tudo, tenho certeza de que fiz uma boa história e não posso concordar com a hipótese de que há falta de qualidade nos meus originais.
Temos nos deparado com material pobre e de qualidade duvidosa sendo impresso e, nesse ponto, não estou seguro se sua publicação facilita ou dificulta a entrada do que eu escrevo nas editoras. Se as pessoas encontram coisas ruins sobre o assunto fantasia, vão se desinteressar dele. As possibilidades de que eu seja publicado portanto, diminuem.
Sendo positivo, a publicação de autores estrangeiros pode ser um alento e porta de entrada. Quem sabe sirvam de abertura para os nacionais desse segmento tão apreciado. André Vianco está aí para comprovar que brasileiros podem escrever sobre terror e vampiros. Orlando Paes Filho comprova que brasileiros podem se aventurar na ficção histórica medieval.
Quando crianças, passamos nossa infância ouvindo histórias de dragões e princesas, mas então, não muito longe, estas histórias nos são tiradas e nunca mais retornam. Tomam a pecha de “temática infantil”, e fica proibido ao adolescente e ao adulto gostar delas. Pior ainda, já que falamos de crianças, ouvi certa vez que uma “professora” disse que dragões e castelos eram de difícil assimilação, já que tratava-se de temática européia que não fazia parte do dia-a-dia do brasileiro. A escritora, sua interlocutora, em contrapartida disse que ela gostava muito daquilo embora não fizesse parte do seu dia-a-dia também (ou será que alguém encontra com dragões ou bruxos mortos-vivos por aí?). Pelo raciocínio da “professora”, deveremos passar o resto de nossos dias escrevendo sobre nossas raízes indígenas e africanas, sobre sítios, sobre a infância feliz no interior de Minas, sobre namoricos adolescentes numa praia do Rio ou sobre engraxates perdidos na metrópole paulistana.
O que há contra a imaginação? O que é necessário para nos fazer sonhar? É especialmente importante, com o intuíto de não tolher a liberdade criativa, salientar que a cultura brasileira não pode ser pautada apenas pelas suas raízes africanas e indígenas. Também viemos da Ásia. Também viemos da Europa! O mundo paralelo onde coloco minha narrativa é medieval e europeu, no que concerne sua relação com o nosso. Não quero que isso seja visto com maus olhos! Mantenham o preconceito longe, por favor.
Faço desse blog, portanto, meu patético manifesto. Conclamo os leitores deste país a lerem fantasia. Assim as editoras podem se sensibilizar para o tema e teremos, quem sabe, um país mais povoado por dragões, magos e cavaleiros empunhando espadas mágicas, contra os poderes arcanos das sombras (que estão ao nosso redor, todo o tempo!).
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Inauguração.
Ok! Depois de muito trabalho e de já ter adicionado alguns capítulos do meu primeiro livro, deixo aqui este espaço aberto para seus comentários, caso resolva fazê-los. Seja bem-vindo e boa leitura.
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9 comentários:
Gostei de conhecer seu espaço... Vim através do Leia Livro e estou anciosa por devorar suas palavras. Sou sempre assim, sempre comento antes de ler... Um hábito que não abandono.
Vamos ver o que me reserva este final de tarde por aqui...
Abraços,
Lunna
Penso que os Editores deveriam estar sedentos e disputando entre si a publicação de um livro, ou melhor, uma obra como esta: de alto nível literário, clássica, que nos leva ao mundo dos sonhos tão rapidamente... O governo inglês incentiva a publicação de novos autores, mas não se vê uma política brasileira adequada ou nessa direção. O autor está de parabéns e assim que este livro for impresso tenho a certeza que será um "best seller" nacional. Nós cidadãos brasileiros temos o direito à uma OBRA LITERÁRIA como esta: grandiosa!
The frustrations of the writer are clear to see and the opportunities to have published such literature styles are difficult to realise in Brazil. Most novels of this type originate from the USA and Europe yet the demand for this literature style are universal as seen in bookshops worldwide, yet almost none originating in Brazil.
The writer needs to be congratulated on the way he draws the reader into the novel, you feel the wind, the cold and you are there with the characters almost immediately. Once started it is impossible to stop - always the indications of a great writer with a potentially tremendous furture!
Esse livro é sinceramente magnífico, pois além de exercitar a imaginação que nos leva ao mundo dos sonhos e voltamos a serem crianças. Digo isso porque a imaginação é algo que me lembra o quanto é bom ser criança. Muitos adultos optam por esse tipo de literatura para se distrairem do Mundo e irem para um outro Mundo, diferente, fora de problemas e fantástico, é claro.
Parabéns para o autor deste fantástico livro que nos leva a um mundo de sonhos!
Olá, Albarus. Passei no seu blog, como prometi, e li os dois capítulos. Não sou seu público-alvo, mas gostei de algumas cenas de ação, a morte do feiticeiro negro, a cabeça voando e olhando o corpo; a recepção que o pai do herói dá a ele, um direto no queixo e o bom humor da situação. Fico impressionado com a sua capacidade de criar nomes... É uma lástima que as editoras sejam assim meio tacanhas, acho que muita gente ia gostar do seu livro. Vá em frente. Abraços
Não há dúvidas de que essa angustiante insensatez nacional com relação ao incentivo cultural, não somente no campo literário, mas em tantos outros segmentos, me faz estar sempre neste estado de dúvida: serei mesmo obrigada ao patriotismo, em um país de governantes, sorry, semi-analfabetos, no pior sentido da palavra...
Eu sou como a Luna aí em cima, não li ainda, mas desde já sinto nuances de um excelente escritor de histórias fantásticas. Você está certo, meu querido: Viemos de toda a parte, África, Ásia, daqui e dalí. No que depender de mim, contribuirei, não só lendo, como também indicando incansavelmente esta sua iniciativa. Vamos protestar! E salve os Elfos e afins. Vamos iluminar este mundo de sombras ignorantes que perambulam feito espectros capitalistas, pelos corredores do Senado...
Um beijuco!
Daisy Carvalho.
Eu ia me esquecendo... Sou amiga do Alessandro Martins e também queria confessar que meus gibis do Maurício de Souza, eram preteridos pelos do Connan.
daisyescriba@hotmail.com
bj!!
Seus argumentos são bons. A dificuldade para iniciantes obterem espaço sempre é grande em qualquer área, é preciso ir atrás, não desistir, suportar as frustrações das tentativas sem resultados. Tudo isso cansa, revolta, e também pode ser mais matéria-prima para escrita, transformando as dores em letras; não importa o estilo, o tipo de história a contar, pois eles encontrarão seu público. O importante é que você faz o que acredita, escreve sobre o que se identifica, bota força em seus dragões, verdade em seus elfos, dá vida ao conto de fadas, ou melhor, ao "conto de bárbaros". Boa sorte em sua jornada!
Álvaro,
assino em baixo seu desabafo. Sei bem o que é receber cartas e mais cartas comunicando que seu texto não se enquadra no perfil da editora ou que já fecharam a programação editorial "desse ano". Dói fundo em quem tenta publicar - um ilustre agente literário não incluido - e mais fundo, ainda, no autor que sonha em conversar com os leitores através desse objeto mágico: o livro.
Mas, deixando a tristeza de lado, quero lhe dizer que os dragões, os dinossauros, baleias, jacarés, hipopótamos fazem parte do imaginário de quem ainda tem (por felicidade) uma criança dentro de si. Pedro Benevides, meu netinho de 5 anos, adora e coleciona dinos. Nunca encontrou nenhum na rua onde mora.
Meu filho, Ricardo Benevides é autor, também, de infanto-juvenis, e um dos seus livros conta a história de um dragão aposentado. Infelizmente a guerra é muito cruel e desigual. São 10 estrangeiros "marketados" para 1 brasileiro. Fica difícil, né?
Eu cá sou persistente, continuo na na batalha enquanto tiver saúde e força.
Boa sorte,
Ana Benevides
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